Padarias investem em novo modelo e aumentam seus lucros

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Fonte: G1

O tradicional balcão de pão se diversificou e vende vários produtos. A padaria ganhou um espaço de convivência, que ocupa metade da casa e virou referência para trocas de experiências dos clientes.

“Venho aqui para encontrar amigos, se tiver que fazer alguma reunião, marcar algum encontro, eu costumo vir aqui e marcar um cafezinho”, diz a cliente Ieda Levy.

No centro da capital paulista, uma padaria exibe tecnologia. Tem comandas eletrônicas, softwares de gestão, rede sem fio e monitores com notícias. Aqui, funcionários uniformizados são especialistas em fazer a vontade do cliente.

“Queijo com tomate, se o cliente quiser queijo com salada, a gente faz, queijo com orégano, ao gosto do cliente”, contou a garçonete Vicensa Cardoso.

Mais do que produtos, a padaria ganha dinheiro com serviço. Nesse local, por exemplo, um pão de 50 gramas custa R$0,50. Se pedir para passar manteiga nele, o preço sobe para R$1,80. Com um pedaço de queijo, vai a R$ 8,40!

“Eu acho o modelo da padaria um modelo inspirador, se a gente for analisar, porque de algum momento para cá ela vendia commodity, pão e leite. Ela soube se renovar, soube se reinventar, entendendo as novas necessidades do consumidor. Hoje, o consumidor quer muito mais do que só esse produto. Ele quer toda a experiência, ele quer toda essa solução que uma padaria, até pela localização geográfica interessante dentro de um bairro, consegue atender”, disse o consultor de mercado Richard Vinic.

Quem não se adapta fica para trás, garante o consultor. E o primeiro passo é conhecer bem o público. Nesta padaria, os clientes são de alto poder aquisitivo.

“Conhecendo a característica do morador da região, aumentou e diversificou o mix de produtos. Nós podemos ver aqui uma adega, com vários rótulos e também diferentes produtos importados, das mais diferentes categorias. E esse é um exemplo de como eu consigo ampliar o meu mix, as minhas soluções, respeitando as características do morador da região”, afirma Vinic.

O empresário André Luiz também se adaptou ao mercado. Sua padaria, na Zona Oeste de São Paulo, tem lanchonete, restaurante, pizzaria e minimercearia. E aquele que era o símbolo máximo da padaria, o pãozinho, hoje é o que menos dá lucro.

“A gente fala que o pãozinho na padaria é o que menos realmente dá retorno, mas é um chamariz, porque todo mundo que entra na padaria para levar o pãozinho, toma café, leva uma margarina, um frio, isso que faz o lucro da padaria, porque se for depender do pãozinho, negativo”, disse o empresário André Luiz.

A padaria está numa região com concorrência forte. É preciso ter bom preço em produtos básicos. Aqui, o pão francês sai a R$ 7,49 o quilo, e a torta de morango, R$ 12,90. Para reduzir custos, o empresário compra matéria-prima em quantidade, com prazo de até 120 dias. Assim, ele não usa capital de giro próprio – paga com o dinheiro da venda do produto.

“Você tendo um bom relacionamento, uma fidelidade financeira com esse fornecedor, isso vai retornar em grandes benefícios, porque a gente consegue trabalhar com o dinheiro do fornecedor”, disse André Luiz.

O empresário ganha na quantidade. São cinco mil itens espalhados pela casa: tortas suculentas, doces coloridos, pães diversos, sorvetes, bebidas, revistas, até brinquedos e guloseimas no caixa. O resultado é que cada cliente sai daqui com pelo menos três produtos na mão e gasta de R$ 18 a R$ 22 por compra.

“Comprei o pão para o café matinal, um pão de escarola, um pão de queijo, um outro pão recheado de frios e um bolo. Enchi a cesta”, contou a cliente Aura Soares.Mas o empresário também sabe exatamente onde pode cobrar mais caro.

De toda a padaria, a lanchonete é o setor de maior rentabilidade. A margem de lucro chega a 100%, e é fácil ver o porquê. Com quatro laranjas, por exexemplo, se faz um copo de suco, vendido a R$ 4 70. Com 50 gramas de farinha de trigo, sai uma esfiha, que custa R$ 4,20. E é um setor que vende o dia inteiro. Toda hora, tem gente consumindo.

Para abastecer os balcões, a casa conta com um setor de produção que não para, funciona 24 horas por dia. Eles deixam a massa pré-pronta, o processo se torna rápido, e atende fácil demandas de última hora.

Para montar uma padaria com toda essa estrutura, o empresário André calcula um investimento de pelo menos R$ 1 milhão, em equipamentos e reforma. Ele garante que o retorno compensa.

Sua padaria vende mais de 20 mil pães e salgados para 1.500 pessoas por dia e fatura R$ 500 mil por mês. O empresário aposta em um crescimento de 25% neste ano.

“Demanda tem. O segredo é fidelizar o cliente, fazer com que ele volte todo dia. Por isso é necessário ter estratégias, produtos de qualidade, atendimento de qualidade. Assim, você vai conseguir ter o cliente todo dia na padaria, porque a concorrência é grande também.”

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